Mineração, uma solução

Enfim, uma boa notícia. Manchete desta Zero Hora, no último dia 25, anunciou a volta da mineração ao estado, com R$ 2 bilhões a serem investidos nos municípios de Eldorado/Charqueadas (carvão), Caçapava do Sul (chumbo, zinco e cobre), Lavras do Sul (fosfato e calcário) e São José do Norte (titânio e zircônio). Se entrarem em operação, os quatro projetos em fase de licenciamento podem abrir 2.277 vagas de trabalho.

Após superar várias etapas, os empreendimentos representam o retorno de uma atividade estratégica abandonada há décadas. Reanimada, ela induzirá boas perspectivas econômicas para o nosso tão combalido Rio Grande do Sul.

Em processos de habilitação, a Nexa Resources (ex-Votorantin Metais) quer extrair zinco, chumbo e cobre em Caçapava do Sul. A Águia Fertilizantes, por sua vez, busca explorar minérios de fosfato e calcário em Lavras do Sul. Mais perto da capital, a Copelmi mira o carvão, amplamente viável com novos métodos antipoluentes.

Em São José do Norte, a exploração de titânio e a geração de energia solar travam acirrada disputa judicial para ver qual delas deve operar no mesmo espaço. O subsolo gaúcho é rico não só de carvão, mas também de cascalho, areia, brita, pedras preciosas, água mineral e outras riquezas.

Quando presidi, há dois anos, a Comissão Mista do Congresso que criou a Agência Nacional da Mineração (ANM), ouvi do seu agora presidente, o gaúcho Vitor Hugo Bicca, que o país é uma sociedade agrária modernizada e rentável, mas pode lucrar também muito com o setor minerário.

O Brasil encontraria soluções para seus problemas com suas jazidas de 83 tipos de minérios. Metade dessa riqueza segue intocada e outra boa parte é explorada clandestinamente, crimes que justificam o aparelhamento urgente da ANM.

Espero que a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) julgue o pretendido licenciamento das mineradoras com o costumeiro equilíbrio. Ninguém quer a repetição das tragédias de Mariana e Brumadinho, mas que se supere o dilema entre custo ambiental e ganho econômico. Com tecnologia e responsabilidade, a equação pode ser bem resolvida.

Lasier Martins
Senador pelo Pode-RS

(Artigo publicado no jornal Zero Hora em 07/06/2019)