ALENTO DO PIB GAÚCHO

Com muita desolação na economia brasileira, que amarga o peso dos seguidos anos de recessão e do largo desemprego acumulado, ao menos o setor privado do Rio Grande do Sul traz notícias alentadoras. Enquanto a máquina pública do estado e seus municípios sofrem com o aperto de caixa e a incapacidade de investir, o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho está reagindo.

Puxada pelas safras de soja e de milho e pela indústria da região serrana, a atividade econômica estadual registrou alta de 4,7% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, segundo informou recentemente o Departamento de Economia e Estatística (DEE), da Secretaria de Planejamento do Estado.

Na mesma comparação, o setor agropecuário estadual deu um expressivo salto de 9,2%. Graças à melhora do clima, a colheita da soja aumentou 5,4% e a do milho, 25,9%. Com isso, no primeiro semestre, o avanço acumulado do conjunto da economia gaúcha é de 3,8%. Trata-se de desempenho muito superior ao PIB do país, que expandiu apenas 0,7% no mesmo período.

Mas as boas notícias não vêm só do campo. A indústria gaúcha subiu 5,7% no segundo trimestre, enquanto a nacional continuou estagnada e avançou só 0,3%. O maior crescimento no estado foi registrado no ramo automotivo, com alta de 40,6%. O reaquecimento dos negócios, sobretudo voltados para as exportações, veio em boa hora e precisa continuar nessa marcha.

Torço para que aproveitemos esse bom momento em favor da renda das famílias, do desempenho do comércio e, sobretudo, da abertura de vagas no mercado de trabalho. Obviamente, ainda há muito a ser feito para o Rio Grande e o Brasil reencontrarem a trilha do progresso e equilíbrio fiscal. É do crescimento sustentável que virá a prosperidade e o bem-estar de todos.

Continua na pauta dos governos estadual e federal e dos parlamentares o desafio inadiável de realizar as reformas estruturais para equilibrar as contas do setor público, melhorar o ambiente econômico para o setor privado e, por tabela, estimular os indispensáveis novos investimentos. Não há outro caminho senão promover redução e simplificação da carga tributária, firmar acordos comerciais para o país e conter despesas crescentes do Estado brasileiro.

Lasier Martins
Senador pelo Podemos-RS

Artigo publicado no Correio do Povo